Dublin Irlanda
Quando se fala em turismo na Europa, pensa-se logo em
Paris, a Cidade-Luz, ou na Espanha. Vêm à cabeça Londres ou Veneza. No
entanto, há um destino turístico bem original no Oeste da Europa, com
uma beleza ainda pouco explorada pelos brasileiros: a ilha da Irlanda. Ela
conserva uma arquitetura medieval e um ambiente místico e intrigante no
interior do país. Nas cidades, as culturas celta e moderna se misturam. O
povo, alegre e acolhedor, conquista o visitante de cara.
Se o turista gostar de pubs, de cerveja, de conversar e
paquerar, aí então não vai mais querer sair de lá. O portão de
entrada é a capital, Dublin, uma cidade milenar e ao mesmo tempo jovem.
Apesar de ter mais de seis mil anos, a Irlanda é independente há somente
cinco décadas e tem um dos maiores índices de desenvolvimento da
Comunidade Europeia. Os irlandeses têm uma história sofrida, marcada por
diferentes colonizações (celtas e vikings) e pelo imperialismo inglês
que, entre outras coisas, dizimou a própria língua nativa, originária
dos celtas. Os nativos que falam gaélico não chegam nem a um quinto da
população.
Se os ingleses podem parecer quietos e pouco falantes
em sua terra natal, quando vão passar os feriados prolongados em Dublin
ou nas praias mais próximas tudo fica diferente. O ambiente desestrutura
qualquer formalidade. Os irlandeses adoram um bom papo, são bem humorados
e espirituosos, cantam e tocam em casa e nos bares. Estão sempre
dispostos a beber uma cervejinha e falam de futebol com paixão. Na
última Copa do Mundo, eles vibraram pelo Brasil.
Um bom lugar para curtir tudo isso é o Temple Bar, uma
área antiga, próxima ao rio Liffey, que foi completamente restaurada e
hoje abriga centenas de bares, pubs, restaurantes, galerias de arte,
cinemas, boates e centros de cultura, além de muitos ateliers de pintura
e escultura.
Não muito longe dali fica o Museu da Cervejaria
Guinness, na James Street. A cerveja, fabricada há mais de 200 anos,
chega a ser lendária na Irlanda, e sua boutique é tentadora, com todas a
inutilidades possíveis com a marca Guinness. A cerveja preta pode ser
encontrada em qualquer bar de esquina, e ir à Irlanda sem curtir um
desses pubs seria um sacrilégio. Boa parte deles servem também pratos
rápidos e não muito caros. Tudo acompanhado de Irish music, é claro.
A música irlandesa, uma das que mais influenciou o
country americano, é alegre e dançante. O país exporta música jovem
para o mundo todo, como a produzida por Bono Vox e seu U2, Ash, Senéad O'Connor,
Van Morrison, The Cranberries ou Thin Lizzy. A doce canção de Enya
também é produto irlandês.
Visitar a Irlanda sem mergulhar um pouquinho no seu
passado também seria uma pena. O Museu Nacional, em Kildare Street,
retrata com fidelidade as antigas invasões e os recentes conflitos contra
os ingleses. Atha Cliatha (Dublin, em gaélico) foi fundada por volta do
ano 800, pelos vikings, responsáveis também pelo surgimento de
importantes cidades como Cork, Limerick e Waterford. Se por um lado os
vikings invadiram a região, em bandos de saqueadores no século 10, por
outro desenvolveram o comércio e vários setores em Dublin. No século
seguinte os celtas, que já viviam na região desde o século 6, acabaram
derrotando os vikings na batalha de Clontarf.
No Museu há antigüidades irlandesas, objetos
militares, coleções de arte e artesanato celta e viking, arte medieval,
jóias, objetos em osso, madeira, bronze e ouro. Em relação à
incessante luta dos irlandeses contra o domínio inglês - num período
mais recente da trajetória do país -, fotos, objetos e documentos são
uma verdadeira aula de história. Durante séculos a fio, passando por
várias tentativas fracassadas, o sofrido povo irlandês almejou sua
independência, conquistada somente no século 20.
A Galeria Nacional, na Merrion Street, é outro lugar a
ser visitado em Dublin. Além da pintura impressionista, da pintura
francesa e italiana dos séculos 17 e 18, o acervo mostra como os artistas
nacionais souberam retratar com fidelidade a alma irlandesa. Em relação
à literatura, o Museu dos Escritores de Dublin, na Parnell Square North,
dá um bom panorama da vida e da obra de escritores irlandeses como Oscar
Wilde ("Retrato de Dorian Grey"), James Joyce
("Ulisses"), Jonathan Swift ("As Viagens de Gulliver")
e George Shaw ("Pigmalião"), entre outros.
Outro ponto turístico pitoresco é o Irish Whiskey
Corner, na Bow Street. Apesar do prestígio e marketing mundial do uísque
escocês, foram os irlandeses que inventaram essa bebida. Os monges dos
séculos 6 aprenderam o processo de destilação que era usado na Ásia
para fabricar perfume e converteram-no para "um uso bem melhor".
Os monges chamavam a bebida extraída desse processo de uisce beatha, que
significa "água da vida", expressão que poucos irlandeses
consideram exagerada. (RM)
O país tem 3,5 milhões de habitantes, nenhum
analfabeto e uma economia em ascensão, baseada na agricultura e no
turismo. São cerca de 70 mil quilômetros quadrados de área (menor do
que o Estado de Santa Catarina), centenas de pequenas vilas, aldeias de
pescadores e milhares de paisagens diferentes uma das outras. A geografia
é de contrastes, com vales, montanhas, lagos, falésias, rios, campos e
praias convivendo lado a lado. Bem próximo da Capital há bons passeios.
Vale a pena conferir.
Situado a apenas 17 quilômetros ao Norte de Dublin, o
Castelo de Malahide é um dos mais importantes do país, historicamente.
Ele foi construído no século 12, e até 1973 foi habitado pelos
descendentes do proprietário original, Richard Talbot. Além do
mobiliário de época e das obras de arte no seu interior, o castelo
possui um jardim fantástico. Um pouco mais ao norte, entre as cidades de
Balbriggan e Skerries, fica o Castelo e Parque de Ardgillan. O castelo, do
século 18, é charmoso e repleto de antigüidades. Mas é o parque ao seu
redor que mais chama a atenção dos visitantes. A propriedade fica a
poucos passos da costa e oferece uma bela vista para o mar da Irlanda.
Para quem está disposto a ir um pouco mais longe, uma
boa dica é alugar um carro e seguir em direção oeste. As estradas são
boas e bem sinalizadas. Com um bom mapa nas mãos é fácil chegar a
lugares excelentes, como a cidade de Galway; às falésias Cliffs of Moher
e à região de lagos, praias e montanhas de Connemara. Quem tem
curiosidade por castelos medievais pode fazer algumas paradas pelo caminho
nos castelos de Bunratty, Knappogue e Ashrod, entre outros.